Local: Museu A Casa do Objeto Brasileiro, São Paulo
Data: 30 de novembro de 2024
Ser e Pertencer, diálogos e transformações, São Paulo, 2024
Traduzir o sensível não é simples. Requer entrega. É preciso mexer nas gavetas empoeiradas das nossas memórias, rever medos, resolver impasses, confrontar, ressignificar.
Ao coletar pedaços da própria história percebemos que eles se assemelham às peças de quebra-cabeças de outras vidas. Essa descoberta requer que deixemos a superfície para mergulhar nas profundezas e, assim, despertar a alma. É preciso coragem para transformar o impulso em ação, renunciar ao conceito já pronto para entender outras formas de enxergar o mundo.
Juntos nós ouvimos, costuramos, tecemos, esculpimos, modelamos, pintamos. Percebemos semelhanças, respeitamos diferenças, aprendemos a ser mais nós mesmos e também a sermos mais nós todos. Nós existimos no coletivo. Somos uma coleção de vidas com histórias que se aproximam e se afastam, que de qualquer maneira se afetam e que com certeza compartilham um mesmo planeta.
A exposição Ser e Pertencer | Diálogos e Transformações, nasce a partir do curso Metodologia Yankatu: artesanato para além das tendências, mostra que não é preciso ter receio de compartilhar ideias. As ideias compartilhadas fermentam, geram conceitos muito maiores e reverberam muito mais longe. Ela demonstra que é na força do coletivo que reforçamos nossas próprias singularidades.
Seu propósito é ampliar nosso olhar para além do artesanato enquanto produto, técnica e tradição, englobando as comunidades e os seres humanos que lhes dão alma, acolhendo também a essência de cada um de nós.
Ao longo do curso os participantes foram convocados a acessarem suas próprias essências para, a partir desse reencontro consigo, serem capazes de conhecer o outro e se reconhecer no outro, estabelecendo com ele relações verdadeiras, respeitosas e horizontais.
Nesse processo o aprendizado se transforma em emoção, cria raízes e passa a fazer parte integrante de pensamentos, atitudes e sonhos. O resultado são obras e projetos cuja essência reside em uma soma feita com cuidado, de forma que as identidades não se percam, nem se fundam.
Eu sigo acreditando que é possível mudarmos o mundo, que o futuro é colaborativo e cada um de nós é importante para a construção do novo. Nós não precisamos mudar o outro para amá-lo, mas precisamos respeitá-lo e entendê-lo para somarmos nossos conhecimentos, nossas ideias e nossas forças, afinal a luta pela permanência da vida é de todos nós.
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